DESCASO

Após intervenção de político, reforma da Cadeia de Vila Rica que estava sendo realizada pela Comunidade está há 90 dias parada

A princípio foi formada uma comissão que estava determinada a concluir a obra com ou sem a ajuda do Estado.

Eldorado.fm

Redação

24/04/2017 06h22 | Atualizada em 24/04/2017 13h15

Após intervenção de político, reforma da Cadeia de Vila Rica que estava sendo realizada pela Comunidade está há 90 dias parada

Rafael Trindade/Eldorado.fm

A Cadeia Pública do município de Vila Rica está interditada por ordem judicial desde setembro de 2013 por falta de estrutura. O juiz Ivan Lúcio Amarante disse em sua decisão, na época, que os presos “só não fugiam porque não queriam”.

No início deste ano, a sociedade organizada: Ministério Público, Poder Judiciário, CONSEG, Sindicato dos Trabalhadores, CDL, Câmara Municipal, Prefeitura Municipal, Delegacia de Polícia, 10º CR de Polícia Militar, Sindicato Rural, empresários e cidadãos voluntários reuniram para dar uma solução aos problemas da Unidade Prisional que se encontra fechada a mais de três anos devido as más condições de suas estruturas físicas.

Na reunião ficou decidido que a sociedade organizada em parceria com o Judiciário (Comarca de Vila Rica) levantaria recursos para realizar as reformas, aproximadamente duzentos e vinte mil reais. As obras tiveram início logo em seguida, em meados de janeiro com doações advindas principalmente do comercio local e produtores rurais.

A princípio foi formada uma comissão que estava determinada a concluir a obra com ou sem a ajuda do Estado.

De acordo com o Presidente do CONSEG, Leonardo Borghesan, de inicio foi arrecadado a importância de R$ 11.900,00, “com pessoas que realmente estão comprometidas com Vila Rica e merecem nossa confiança”.

“Com o aparecimento de uma liderança política, a Comissão fez a reunião e houve a promessa de um repasse de 350.000,00, em forma de convênio junto a Prefeitura Municipal de Vila Rica para a devida reforma e é claro poderíamos com esta promessa, ir além do que tínhamos no projeto original” relatou o Presidente.

Depois da reunião com o Deputado Federal Nilson Leitão (PSDB), ainda em janeiro, a obra foi paralisada e a Comissão foi até Cuiabá, onde fizeram uma reunião com o Governador Pedro Taques e o Secretário de Segurança Pública que se comprometeram em solucionar o problema da cadeia Pública de Vila Rica. “Com as promessas de todos os lados, começou a brotar a certeza de que não precisava mais da mobilização da sociedade”.

A Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos disse na época que estava ciente da obra e que tinha firmado um termo de cooperação com o Conselho de Segurança de Vila Rica. A Sejudh disse que ai repassar, em curto prazo, o valor de R$ 350 mil para a entidade contratar a obra. Esse dinheiro deveria ser usado para reforma do prédio e construção do muro, e usado ainda para repor o que já tinha sido gasto.

Bastante contrariado, Borghesan não esconde sua indignação com o descaso das autoridades responsáveis pela segurança pública do Estado. 

“Para quem quiser conferir, a obra está paralisada tal como quando fomos obrigados a deixa-la. Hoje fazem mais de noventa dias e nada ou pouco se sabe sobre esse convenio. Parece que fomos esquecidos pelas autoridades politicas e administrativa”.

Enquanto isso os presos dos municípios de Santa Terezinha, Santa Cruz do Xingu e Vila Rica que compõem a Comarca ficam provisoriamente na delegacia de Vila Rica sem as mínimas condições de estruturas, fazendo coisas tudo na base do improviso, tudo por negligência do Estado.

As condições da Cadeia Pública e da Delegacia foram alvos de visitas “in loco”, pelo próprio Governador Pedro Taques quando em campanha eleitoral em 2014.

Segundo o presidente do CONSEG de Vila Rica, Leonardo Borghesan, se a Comissão estivesse dada continuidade ao projeto original, com esse tempo que já foi perdido, já teriam concluído 90% ou mais do total da obra.

A ideia é que, com a reforma, sejam criadas 100 vagas para presos no município. Com isso, a sociedade estaria mais tranquila, o judiciário mais eficiente, os presos não estariam em condições degradantes e os criminosos estariam presos.

PUBLICIDADE