Politica

As estrepolias mal explicadas de Max Russi no PSB de Mato Grosso

As duas situações colocam em dúvida as habilidades de Russi ser de fato o propagado líder. ou apenas um politico que só pensa em si próprio

22/08/2022 14h10 | Atualizada em 22/08/2022 16h08

Ardiloso político de expressividade no atual cenário de Mato Grosso, o deputado estadual Max Russi, que comanda o PSB no estado, realizou duas manobras estranhas nos últimos dias, e que são dignas de questionamento para alguém que “diz jogar em grupo”.

Na busca pelo poder acima de tudo, o voraz deputado alçou a médica Natasha Slhessarenko, filha da ex-senadora Serys Slhessarenko, como pré-candidata ao senado e, de repente, numa manobra estranha simplesmente o projeto da mesma foi por água abaixo. Max foi além, tentou emplacá-la sorrateiramente, sem sucesso, nos minutos finais do prazo da Justiça Eleitoral, como candidata a deputada estadual, constrangendo a mesma junto ao partido e à sociedade, numa verdadeira saia justa.

Eis que, nesta última semana, Max Russi inovou no processo eleitoral e, numa tacada inusitada, PEDIU e depois DESPEDIU o cancelamento da ação de impugnação do registro de candidatura de Gaspar Domingos Lazari (PSD), ex-prefeito de Confresa e potencial candidato a deputado estadual da região Araguaia que tem base em Confresa, cidade que curiosamente nem um dos candidatos do PSB é visto como grandes puxadores de voto.

As duas situações colocam em dúvida as habilidades de Russi ser de fato o propagado líder. Nos gabinetes da Assembleia a maioria dos deputados deixa claro que num possível cenário futuro preferem Botelho como presidente do que Russi,  o estilo agressivo de cooptar de Russi lhe rendeu um apelido nos bastidores: "Jacaré do Zóio Azul" isso devido a voracidade que o mesmo ataca as bases pelo estado afora.

No caso de Natasha, ficou uma grande dúvida, oras se Russi tinha o aval do presidente nacional do PSB, o cacique Carlos Siqueira porque então tenta culpar Geraldo Alckmin, candidato vice de Lula pelo desfecho? Será que foi erro de comunicação ou traição?

Ao que tudo parece a meta de inviabilizar Natasha, é algo que soa como um pedido de Mauro Mendes e Wellington Fagundes, e assim, depois culpar o adversário destes dois últimos no caso Neri Geller e depois  posar de bom samaritano e quase chorar ao lado da médica.

A segunda tese e também que não pode ser negada, é a de que Natasha estava crescendo e que seria possível sim ganhar a eleição ao senado, mas aí desta forma Russi com certeza perderia a legenda para a médica no âmbito estadual, então destruir essa possibilidade foi a melhor saída.

Já sobre o caso de Gaspar, a verdade é que na cidade de Confresa, sua principal base eleitoral e até mesmo na região Araguaia, os votos dele não têm nada haver com os de Max Russi, e nem dos demais candidatos do PSB, são eleitorados distintos.O que muito se estranha é a proeza de Max Russi, presidente da sigla e deputado estadual que tenta reeleger-se, dizendo que não sabia que o processo iniciado em um escritório de advocacia que presta assessoramento ao partido não tinha seu conhecimento. 

De duas uma, ou Max mandou e aí quando viu o estrago provocado quis pagar de "Menino da Gaita" com seus olhos claros bem azuis, ou o PSB de Mato Grosso está na moda “Casa de Mãe Joana”, onde o chefe não sabe o que assessores fazem!  Então imagina o que seria possível num futuro governo estadual. 

No caso de Natasha, Max pode se fingir de bobo e enrolar, afinal a questão era dentro do PSB onde todos estavam no mesmo barco diga-se PSB,  já no caso de Gaspar Lazzari, o cacique Max Russi deve sim SATISFAÇÃO e RESPEITO ao Araguaia, até porque nesta quinta feira dia 18 de agosto, ele disse em nota enviada aos meios de comunicação que alimenta com verbas da Assembleia Legislativo quem, de fato fez  o pedido de impugnação de Gaspar.

De fato, Gaspar Lazzari responde processos administrativos oriundos do período em que administrou o município de Confresa, onde foi prefeito 03 vezes, contudo, o que o Araguaia não pode permitir é que alguém, em sua ambições num “exército de um homem só” no caso Max Russi, queira destruir o sonho da região ter seus representantes e depois falar em RESPEITO. 

Se Russi tem HOMBRIDADE, e fala em RESPEITO com o Araguaia, o mínimo que deve é dizer quem mandou, ou então assumir que mandou e porque mandou, caso contrário isso provará que não tem comando interno.A omissão em dizer quem de fato pediu, prova que na sua ambição pessoal pode vender a alma e os parceiros tanto a Deus como ao Diabo, dependendo do ponto de vista que lhe convier. Se de fato, Max Russi quer ser líder precisa ser transparente e o Araguaia quer saber quem deu a ordem para o pedido de degola de Gaspar.

Como disse o meu nobre colega Eduardo Gomes de Andrade, partido político tem legitimidade para pedir impugnação e o PSB de Mato Grosso o fez representado pelos advogados Edmilson Vasconcelos de Moraes e Reniele Souza Maciel, do escritório Vasconcelos de Moraes Advogados Associados em Cuiabá, e que presta assessoria ao PSB de Max Russi.

A Ação de Impugnação de Registro de Candidatura (AIRC) impetrada pelos advogados no dia 16 de agosto, foi rechaçada por Max Russi um dia depois o deputado e dirigente partidário ter protocolado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), uma solicitação de desistência de impugnação do pedido de registro da candidatura de Gaspar.

Inédita nacionalmente, a solicitação sequer é prevista pela legislação eleitoral e embora Max Russi seja seu autor, a mesma leva a chancela do advogado Edmilson Vasconcelos de Moraes – o mesmo que na véspera pediu a cabeça de Gaspar e assim como nas "Estórias e boatos" dos bastidores da política borbulham e suspeitam que Russi teria feito um "fogo amigo".  A ironia do destino é que um dia antes do caso vir a público, Max Russi tirou até foto com Gaspar Lazzari no Hotel Paiaguás.

Eduardo Gomes diz em seu blog, que o tal “Fogo amigo'' poderia ser uma rasteira de candidatos a deputado estadual pelo PSD, o partido de Gaspar. Analistas acreditam que o campeão de votos ao cargo pela sigla será o deputado Nininho, e que os deputados Wilson Santos e Dr. Gimenez, que tentam a reeleição, e que podem ser engolidos por Gaspar, que entrou de supetão na disputa, mas que fora do páreo  aliviaria a situação dos dois.

Gomes também diz que pode parecer estranho, mas Max Russi, que é um dos mandachuvas na atual Assembleia, tem ascendência sobre deputados, ex-deputados e outros políticos não filiados ao PSB. Comentários sugerem que Max Russi poderia ter ordenado ao escritório para pedir a decapitação de Gaspar, mas que recuou temendo repercussão negativa do fato. 

Segundo Eduardo Gomes, o ex-prefeito Gaspar, mesmo tendo uma certa relação com Max Russi, tem menos ligação com o cacique político do que Baiano Filho (União Brasil), que é candidato a deputado estadual e também tem moradia em Confresa e disputa o mesmo eleitorado do ex-prefeito, sendo que os dois eram aliados até 2018. 

Eduardo Gomes tambem afirma que para Max Russi, seria mais interessante a eleição de Baiano Filho do que uma vitória de Gaspar Lazzari, isso pensando em futuras disputas pela mesa diretora do Assembleia, da qual Max Russi faz parte e presidiu, e sonha voltar ao comando. Independente dos seus planos, o que Max Russi tem que fazer é mostrar de fato a quem interessa a saída de Gaspar de cena, já que do ponto de vista político o menor prejudicado neste seria o PSB e o próprio, agindo assim ele de fato passará a imagem de grande líder que prega respeito com Araguaia.
 

*Evandro Carlos é jornalista e convive com a região Araguaia desde 1986

FONTE: Evandro Carlos

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