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GRAMPO ILEGAL

Presos por grampos clandestinos, PMs de confiança do governo têm ar-condicionado e frigobar

Os coronéis Zaqueu Barbosa, Ronelson Barros e Evandro Lesco e o cabo Gerson Correa Junior são suspeitos de envolvimento no esquema que funcionou na Polícia Militar.

24/07/2017 10h51 | Atualizada em 24/07/2017 12h23

Presos por grampos clandestinos, PMs de confiança do governo têm ar-condicionado e frigobar

Reprodução

Homens de confiança do governador Pedro Taques (PSDB), o coronel Zaqueu Barbosa e os coronéis Evandro Lesco e Ronelson Barros, ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar, e o cabo Gerson Correa Junior, todos da Polícia Militar de Mato Grosso, contam com ar-condicionado, frigobar e televisão nos quartéis em que estão presos. Os militares são acusados de fazerem parte de um esquema de grampos entre agosto de 2014 e outubro de 2015.

A vistoria foi feita após determinação do desembargador Orlando Perri, que é relator da investigação sobre os grampos no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Os quatro foram presos entre maio e junho deste ano.

Nas imagens, feitas durante as visitas, os alojamentos em que os PMs estão presos aparecem equipados com frigobar, geladeira, fogão, TV de tela plana e micro-ondas.

O ex-comandante da PM, coronel Zaqueu Barbosa, foi preso no dia 23 de maio. Ele teria dado a ordem para as interceptações clandestinas, que foram operadas pela PM por meio do Núcleo de Inteligência.

Mais de 100 pessoas foram espionadas, entre jornalistas, advogados, uma deputada de oposição, médicos, servidores públicos, empresários, um desembargador do Tribunal de Justiça e até um número de telefone usado pelo Ministério Público de Mato Grosso. Todos tiveram os números incluídos numa suposta investigação sobre participação de policiais em tráfico de drogas.

Na mesma data em que Zaqueu foi preso, o cabo Gerson Correia Junior também foi detido. À época em que os grampos estavam ativos, era ele quem assinava os pedidos de inserção dos números telefônicos. Atualmente, ele é lotado na Casa Militar, que tem entre as atribuições fazer a segurança do governador do estado e não foi exonerado do órgão mesmo preso há dois meses.

Já o coronel Evandro Lesco, que comprou no próprio nome um equipamento que pode ser usado para escutas telefônicas que custa R$ 24 mil, foi preso no dia 23 de junho. O endereço do Comando Geral da PM consta da nota de compra do aparelho como local de entrega. Ao G1, a instituição negou ter recebido o aparelho.

No dia 23 de junho, também foram presos o então secretário adjunto da Casa Militar, Ronelson Barros, que foi afastado do cargo, e o tenente-coronel Januário Batista, do 4º Batalhão da PM de Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá. Januário, entretanto, foi solto após determinação da Justiça. Por meio dos advogados, os militares negaram envolvimento e afirmaram que devem se posicionar no andamento do processo.

Os cinco militares foram denunciados pelo MP por ação militar ilícita, falsificação de documento, falsidade ideológica e prevaricação.

Investigações

O promotor de Justiça Mauro Zaque, que comandou a Secretaria de Segurança Pública em 2015, denunciou o caso à Procuradoria-Geral da República, afirmando que alertou o governador Pedro Taques (PSBD) sobre a existência de um "escritório clandestino de espionagem" por meio de dois ofícios. O primeiro chegou a ser enviado para o MPE, mas a investigação foi arquivada por falta de provas.

O segundo, que o governador alega nunca ter recebido, foi protocolado na Casa Civil, mas cancelado no mesmo dia e substituído por outro, conforme apontou auditoria da Controladoria Geral do Estado. Antes do relatório da CGE vir à tona, Taques chegou a entrar com representação contra Zaque em instituições como o Conselho Nacional do Ministério Público e a PGR, acusando-o de falsificação de documento público.

Dias antes do escândalo ser revelado em reportagem do Fantástico, em maio, o secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, primo do governador, deixou o cargo. O próprio Paulo Taques, alegando estar sofrendo ameaças, pediu à Sesp para que fossem investigados um jornalista, uma ex-secretária e uma ex-amante dele.

Fora do governo, Paulo Taques, que é advogado, defende Pedro Taques na investigação da PGR, que apura se o chefe do Executivo sabia do esquema e se foi dele que partiu a ordem para as interceptações.

Paulo Taques é advogado ainda do secretário de Justiça e Direitos Humanos, o coronel da PM Airton Siqueira Júnior, que prestou depoimento como testemunha no inquérito da PM.

Envolvimento do governador

Em depoimento encaminhado à PGR, o ex-secretário Mauro Zaque afirmou que em 2015, época em que ainda estava no governo, ouviu o coronel Zaqueu Barbosa, comandante da PM à época, dizer que as interceptações telefônicas eram feitas por determinação de Pedro Taques. Ele alega ainda que levou o assunto a Taques e que o governador ficou constrangido, mas não fez nenhum comentário.

Em entrevista ao Fantástico, o secretário de Comunicação, Kléber Lima, negou o envolvimento do governador no esquema.

FONTE: G1 MT

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