JOGO MACABRO

Polícia apreende celulares e computador em operação contra jogo da Baleia Azul no Sul do Pará

Jogo não existe oficialmente e é uma iniciativa de criminosos para impor desafios macabros a crianças e adolescentes.

18/07/2017 11h37 | Atualizada em 18/07/2017 13h48 1 comentario

Polícia apreende celulares e computador em operação contra jogo da Baleia Azul no Sul do Pará

Ilustrativa

A Polícia Civil de Redenção, no sul do Pará, apreendeu dois celulares e um computador na manhã desta terça-feira (18), em uma residência no bairro Serrinha, onde estaria um dos investigados pela prática do jogo Baleia Azul, uma corrente que tenta induzir virtualmente seus participantes, a maioria menores de 16 anos, ao suicídio através de 50 desafios. A ação integra uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Duas pessoas foram prestar esclarecimentos na delegacia e foram liberadas em seguida.

O jogo da Baleia azul não existe oficialmente. Não há um site ou coisa assim. É uma iniciativa de criminosos que usam as redes sociais para impor desafios macabros a crianças e adolescentes. Um grupo de organizadores, chamados "curadores", propõe uma sequência de missões que envolvem isolamento social, automutilação e suicídio.

Segundo a Safernet (associação que combate violação de direitos humanos na internet), ele surgiu de uma notícia falsa na Rússia que se espalhou a partir de 2015. Desde abril, a DRCI investiga várias pessoas que estariam relacionadas aos crimes envolvendo o Baleia Azul.

Operação do Pará

De acordo com o delegado Ricard, há quatro dias a Polícia Civil de Redenção recebeu um ofício e um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça do Rio de Janeiro e encaminhado pela polícia do mesmo estado solicitando cumprimento nesta terça-feira da ordem judicial para buscar e apreender objetos tecnológicos em uma residência de um suposto curador da prática do chamado jogo Baleia Azul.

A operação da cidade paraense iniciou às 6h e contou com a participação de cinco policiais civis e um oficial de justiça. Três celulares e um notebook foram apreendidos. Dois dos celulares e o computador portátil são do suspeito e o terceiro celular pertence à irmã do investigado.

Os dois irmãos, que são maiores de 18 anos, foram encaminhados até a delegacia para prestar esclarecimentos, conforme solicitado pela Polícia do RJ e foram liberados em seguida. Não houve mandados de prisão nem de condução coercitiva, quando a pessoa é levada para depor, no Pará.

Os objetos apreendido vão passar em Redenção por uma análise da equipe do Núcleo de Apoio à Investigação (NAI), do Núcleo de Inteligência da Polícia Civil do Pará. As análises vão apontar a existência ou não de arquivos que interessem a investigação. Havendo esses arquivos, os objetos serão lacrados e enviados via malote para a Polícia Civil no RJ. Caso não haja nenhum arquivo nos celulares e no computador, os objetos serão liberados e devolvidos aos proprietários.

Recomendações

O G1 ouviu especialistas que dão dicas de como lidar com o tema:

1. Fique atento às mudanças de comportamento

Uma mudança brusca de comportamento pode ser sinal de que a criança ou o adolescente esteja sofrendo com algo que não saiba lidar, segundo Elizabeth dos Reis Sanada, doutora em psicologia escolar e docente no Instituto Singularidades.

“Isolamento, mudança no apetite, o fato de o adolescente passar muito tempo fechado no quarto ou usar roupas para se esquivar de mostrar o corpo são pistas de que sofre algo que não consegue falar”, destacou a especialista.

2. Compartilhe projetos de vida

Para entender se a criança ou adolescente está com problemas é fundamental que os pais se interessem por sua rotina. Elizabeth reforça que este deve ser um desejo genuíno, e não momentâneo por conta da repercussão do “Jogo da Baleia Azul”.

“Os pais devem conhecer a rotina dos filhos, entender o que fazem, conhecer os amigos”, afirma a Elizabeth. Ela lembra que muitos adolescentes “falam” abertamente sobre a falta de motivação de viver nas redes sociais. Aos pais cabe incentivar que os filhos tenham projetos para o futuro, tracem metas como uma viagem, por exemplo, e até algo mais simples, como definir a programação do fim de semana.

3. Abra espaço para diálogo

Filhos devem se sentir acolhidos no âmbito familiar, por isso, Elizabeth reforça que é necessário que os pais revertam suas expectativas em relação a eles. “É preciso que o adolescente se sinta à vontade para falar de suas frustações e se sinta apoiado. Se ele tiver um espaço para dividir suas angústias e for escutado, tem um fator de proteção”.

Angela Bley, psicóloga coordenadora do instituto de psicologia do Hospital Pequeno Príncipe, diz que o adolescente com autoestima baixa, sem vínculo familiar fortalecido é mais vulnerável a cair neste tipo de armadilha.

“O que tem diálogo em casa, não é criticado o tempo todo, tem autoestima melhor, tem risco menor. Deixe que ele fale sobre o jogo, o que sente, é um momento de diálogo entre a família”, ressaltou a especialista.

Angela reforça que muitas vezes o adolescente não tem capacidade de discernir sobre todo o conteúdo ao qual é exposto. “Por isso é importante o diálogo franco. Não pode fingir que esse tipo de coisa não existe porque ele sabe que existe.”

4. Adolescentes devem buscar aliados

O adolescente precisa buscar as pessoas em que confia para compartilhar seus anseios, seja no ambiente escolar ou familiar, segundo as especialistas. “Que ele não ceda às ameaças de quem já está em contato com o jogo e entenda que quem está a frente deles são manipuladores”, conta Elizabeth.

5. Escolas podem criar iniciativas pela vida

Assim como a família, as escolas podem ajudar a identificar situações de risco entre os alunos. “Não é qualquer criança que vai responder ao chamado de um jogo como esse, são os que têm situações de vulnerabilidade. A escola ajuda a construir laços e tem papel fundamental de perceber como os alunos se desenvolvem”, afirma Elizabeth.

FONTE: G1 PA, Belém

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