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COMBATE

Com alta em conflitos por terra, MT registra 71 assassinatos e cinco massacres em um ano

Trinta e um destes assassinatos ocorreram em 5 massacres, o que corresponde a 44% do total.

05/06/2018 10h21 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

Com alta em conflitos por terra, MT registra 71 assassinatos e cinco massacres em um ano

Reprodução

A Comissão Pastoral da Terra - Regional Mato Grosso (CPT-MT) realiza, nesta terça-feira (5), o lançamento do Caderno de Conflitos Brasil 2017. É a 33ª edição do relatório que reúne dados sobre os conflitos e violências sofridas pelos trabalhadores e trabalhadoras do campo brasileiro, neles inclusos indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais. No ano passado foram registrados 71 assassinatos.

 Novamente o documento registrou aumento no número de conflitos, atingindo o maior número de ocorrências desde 2003, sendo registrados 71 assassinatos, 10 a mais que no ano anterior, quando foram registrados 61 assassinatos. Trinta e um destes assassinatos ocorreram em 5 massacres, o que corresponde a 44% do total. Além do aumento no número de mortes, houve aumento em outras violências. Tentativas de assassinatos subiram 63% e ameaças de morte 13%.

Para Elizabete Flores, coordenadora da CPT-MT, o caderno de conflitos é mais que um instrumento de denúncia. “Com o caderno de conflitos nós queremos mais que denunciar as violências sofridas continuamente pelo povo do campo, mas também cobrar que o Estado, a sociedade, organismos internacionais, atuem no combate à violência contra camponeses e camponesas”, avalia Flores.

O caso de Colniza consta no documento e é um exemplo do despreparo do Estado para combater a violência, tendo em vista que foi denunciado e alertado antes da ocorrência. Em 19 de abril de 2017, nove pessoas foram massacradas na região de Taquaraçú do Norte, município de Colniza (1065km de Cuiabá).

Conforme a denúncia, a motivação dos crimes seria a extração de recursos naturais da área. Com a morte das vítimas, a intenção do mandante era assustar os moradores e expulsá-los das terras, para que ele pudesse, futuramente, ocupá-las. No dia do atentado, os denunciados foram reconhecidos pelas testemunhas.

O grupo de extermínio percorreu aproximadamente 9 km ao longo da Linha 15, assassinando, com requintes de crueldade, aqueles que encontraram pelo caminho, sem dar chance de fuga ou defesa. Participaram do crime, segundo à acusação, o ex-sargento da Polícia Militar de Rondônia Moisés Ferreira de Souza, Ronaldo Dalmoneck, Pedro Ramos Nogueira e Paulo Neves Nogueira.

Outras ocorrências que chamam atenção em Mato Grosso é a intensificação no uso de agrotóxicos no campo, afetando comunidades e assentamentos, e o aumento do trabalho escravo. O número de trabalhadores libertados é segundo maior desde 2011, assim como o registro de casos de pistolagem. O aumento no número geral de ocorrências reflete ainda n quantidade de famílias sendo expulsas do campo.

FONTE: Olhar Direto/Vinicius Mendes

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