AVALIAÇÃO

MT está entre estados com maior índice de mortalidade de bebês

O indicador estadual está entre os 10 piores do país, é alto e precisa melhorar, na avaliação do Ministério da Saúde.

25/07/2017 09h20 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

MT está entre estados com maior índice de mortalidade de bebês

Ilustrativa

A cada mil bebês que nascem em Mato Grosso, 12,4 morrem nos primeiros 28 dias de vida. Este período é chamado de neonatal e, nesta fase, a criança é considerada recém-nascida. O indicador estadual está entre os 10 piores do país, é alto e precisa melhorar, na avaliação do Ministério da Saúde. A média nacional é 9,1 e a diferença entre as médias local e nacional é de 3 vidas a cada mil nascidos.

Para coibir óbitos evitáveis de recém-nascidos, o Ministério da Saúde lançou um conjunto de ações chamado de “Estratégia Qualineo”, justamente nestes 10 estados onde a situação é considerada crítica. Além de Mato Grosso, estão na lista Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Piauí, Roraima e Sergipe, todos da região Norte e Nordeste, com exceção de Mato Grosso.

Sendo assim, a realidade local para este assunto é a mesma da nordestina, onde a seca, a miséria e, consequentemente, a desnutrição e diversas outras doenças são históricas.

A pedagoga Juliana Maciel, 28 anos, enfrentou a dor de perder um bebê recém-nascido e, como mãe, afirma que “tudo que puder ser feito para evitar essa dor deve ser feito”. Engravidou de gêmeos e, na 28ª semana, entrou em trabalho de parto. “Na madrugada, a bolsa estourou e fomos correndo para o hospital”.

Giovana nasceu primeiro de parto normal com 1.090 kg e Heitor, 15 minutos depois, com 1,2 kg. Embora “maiorzinho”, como relata a mãe, Heitor não resistiu e nas primeiras 24 horas faleceu. “Sofreu hemorragia pulmonar”, detalha Juliana, lembrando que este é o último órgão do corpo humano que amadurece. “Não tem como explicar o sofrimento que passei, chorei muito e, depois disso, fiquei com muito medo de perder minha filha também. Mas, graças a Deus, após 133 dias de UTI ela foi para casa e hoje tem 1 ano e 8 meses”.

A enfermeira Vandriane Longui, técnica da Área da Saúde da Criança da Secretaria de Estado de Saúde (SES), que vai acompanhar o programa Qualineo no Estado, explica que complicações respiratórias estão, de fato, entre os principais motivos de óbitos neonatais, junto com as más formações, infecções e o baixo peso. Mas ressalta que isso será aferido com mais precisão no decorrer da realização de oficinas preparatórias e da implementação do programa.

Ela diz também que um pré-natal bem feito pode evitar muita tristeza. “Infecção urinária, por exemplo. Basta tratar na gravidez. Agora, se o bebê nascer contaminado já é mais complicado. Por má formação a gente não vai conseguir evitar o óbito, mas por este tipo de problema a gente consegue”.

O Hospital Santa Helena, Hospital Universitário Júlio Müller e o Hospital Universitário Geral, que têm maternidades e que fazem o maior volume de partos no Estado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), foram inseridos no programa, como referenciais. Bebês que nascerem nas unidades durante o período do programa serão acompanhados.

A ideia é que estas unidades, que já demonstram intenção em inovar, com o projeto canguru e o banco de leite para alimentar prematuros, funcionem como multiplicadoras espalhando a metodologia para todo o Estado.

Em setembro, os envolvidos na iniciativa vão participar de um grande encontro via web e em novembro terão uma segunda oficina de capacitação com especialistas de escolas de ponta e do próprio Ministério da Saúde.

Mas reduzir esse indicador não será tarefa tão simples, como aponta a neonatologista Maria de Fátima Carvalho Ferreira, que também é presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT). “É uma proposta interessante e claro que queremos salvar nossas crianças, além disso não é uma proposta pronta, imposta, e sim que está sendo construída nos locais. Isso é igual fazer roupa sob medida, a probabilidade de cair bem é bem maior”, compara a médica.

No entanto, segundo ela, será necessário grande esforço de gestão e mais recursos. Destaca que, além de faltar leitos intensivos neonatais no Estado, faltam de forma mais significativa os intermediários entre a UTI e as enfermarias. Ela também ressalta que os dados estatísticos locais sobre óbitos de recém-nascidos devem ser melhor aferidos, porque somente com base neles é que é possível implementar políticas públicas eficientes.

A enfermeira Carolina Moura, coordenadora do setor neonatal do HGU, diz que, desde 2012, as maternidades envolvidas no Qualineo já estão também envolvidas na Rede Cegonha, que é uma estratégia do Ministério da Saúde para assegurar às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo e a atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério, bem como assegurar às crianças o direito ao nascimento seguro e ao crescimento e desenvolvimento saudáveis. Nesta intenção, o Rede Cegonha tem como focos o pré-natal, o parto e o nascimento, além dos primeiros 28 dias de vida.

A médica Carolina Vieira, do Hospital Santa Helena vê uma gama de estratégias que podem ser adotadas e melhoradas para salvar vidas. “Exames laboratoriais eficientes, triagem da gestante no atendimento, dentro da UTI também, aleitamento materno e amor por parte dos profissionais”. Segundo ela, cada prematuro é um guerreiro lutando para resistir. “Cada um pinguinho de gente desse luta e a gente tem que lutar junto com ele”.

FONTE: A Gazeta

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