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PAÍS PASSA POR "TEMPESTADE"

Dom Pedro Casaldáliga e outros 3 bispos de MT assinam carta contra Bolsonaro

152 arcebispos e bispos da Igreja Católica assinaram uma carta com duras críticas ao presidente da República.

01/08/2020 12h55 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

Dom Pedro Casaldáliga e outros 3 bispos de MT assinam carta contra Bolsonaro

ilustrativa

O bispo prelado emérito de São Félix do Araguaia Dom  Pedro Casaldáliga e outros três bispos de Mato Grosso assinaram, junto com um grupo de 152 arcebispos e bispos da Igreja Católica uma carta com duras críticas ao presidente da República  Jair Bolsonaro (sem partido). No documento,  também  subscrito por Dom Adriano Ciocca Vasino, bispo prelado de São Félix do Araguaia; Dom Neri José Tondello, bispo de Juína; e Dom Protógenes Luft, bispo de Barra do Garças, os religiosos citam que o governo federal demonstra "omissão, apatia e rechaço pelos mais pobres", além de "incapacidade para enfrentar crises".

Ainda nesta semana, 1058 padres brasileiros assinaram um manifesto em apoio às críticas dos 152 bispos contra Bolsonaro. A iniciativa desses sacerdotes esquenta ainda mais o embate entre as chamadas alas "progressista" e "conservadora" na Igreja Católica.

 Ao longo do texto, os bispos afirmam que a situação "é visível nas demonstrações de raiva pela educação pública; no apelo a ideias obscurantistas; na escolha da educação como inimiga e nos sucessivos e grosseiros erros na escolha dos ministros".

Ainda de acordo com o texto, chamado de "Carta ao Povo de Deus", os bispos e arcebispos afirmam que o presidente da República usa o nome de Deus para "difundir mensagens de ódio e preconceito".

"Como não ficarmos indignados diante do uso do nome de Deus e de sua Santa Palavra, misturados a falas e posturas preconceituosas, que incitam ao ódio, ao invés de pregar o amor, para legitimar práticas que não condizem com o Reino de Deus e sua justiça?"

O documento também pede "união" por um diálogo contrário às ações do Governo Federal. Neste ponto, os religiosos convocam os leitores para "um amplo diálogo nacional que envolva humanistas, os comprometidos com a democracia, movimentos sociais, homens e mulheres de boa vontade, para que seja restabelecido o respeito à Constituição Federal e ao Estado Democrático de Direito".

Covid-19

Na carta, os religiosos ainda afirmam que o Brasil atravessa "um dos momentos mais difíceis de sua história", vivendo uma "tempestade perfeita". Essa tempestade, nas palavras dos arcebispos e  bispos, culminaria em uma "crise sem precedentes na saúde" e em um "avassalador colapso na economia", com a tensão "provocada em grande medida pelo Presidente da República [Jair Bolsonaro] e outros setores da sociedade".

"Analisando o cenário político, sem paixões, percebemos claramente a incapacidade e inabilidade do Governo Federal em enfrentar essas crises", diz trecho da carta.

Com base em versículos bíblicos, o texto cita o atual momento da pandemia enfrentada pelo país e o aumento de casos e óbitos pelo novo coronavírus. "Assistimos discursos anticientíficos, que tentam naturalizar ou normalizar o flagelo dos milhares de mortes pela Covid-19".

"Esse discurso não se baseia nos princípios éticos e morais, tampouco suporta ser confrontado com a Tradição e a Doutrina Social da Igreja."

O documento termina com um pedido da Igreja Católica ao povo brasileiro por união aos movimentos que "buscam novas e urgentes" alternativas para o país.

"Despertemo-nos, portanto, do sono que nos imobiliza e nos faz meros espectadores da realidade de milhares de mortes e da violência que nos assolam", conclui. 

FONTE: RD News

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