COVID-19

MT: interiorização da Covid-19 preocupa importante estado do agro brasileiro

Município de Confresa decretou lockdown nesta semana, por falta de leitos hospitalares, e o temor que outras cidades tenham que seguir o mesmo caminho.

11/06/2020 07h37 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

MT: interiorização da Covid-19 preocupa importante estado do agro brasileiro

Ilustrativa

O estado de Mato Grosso, importante polo produtivo do agronegócio brasileiro, está começando a revelar a interiorização dos casos de Covid-19 no Brasil. Nesta semana, dez pacientes infectados pelo novo coronavírus no município de Confresa tiveram que ser transferidos para outro estado por falta de leitos em hospitais.

Essa situação fez com que a prefeitura local decretasse lockdown, que é a medida mais restritiva e que proíbe a circulação de pessoas nas ruas, assim como fiscaliza a entrada e saída das cidades. O bloqueio total começou no dia 8 de junho e a previsão é de que vá até o próximo dia 20.

Em decreto assinado pelo prefeito de Confresa, Ronio Milhomem (veja vídeo abaixo), foram suspensas todas as atividades não essenciais na cidade e seus distritos, além das agrovilas. O fechamento da cidade é por 15 dias, mas pode ser prorrogado caso o lockdown não surta efeito.

As pessoas podem sair de casa para comprar alimentos e medicamentos, frequentar hospitais ou clínicas médicas, realizar operações bancárias e realizar algum trabalho essencial.

Para aumentar a segurança dos pacientes e profissionais da saúde, foi montado um túnel de desinfecção na entrada da UPA, onde está funcionando um hospital de campanha municipal.

De acordo com último boletim divulgado pelo governo de Mato Grosso, até terça-feira, 9, a cidade havia registrado 165 casos de Covid-19. Sendo que somente de segunda para terça, 11 novos casos foram registrados. Ao todo, 3 pessoas morreram no município.

Preocupação de contágio

O temor em Mato Grosso e do setor produtivo é de que a cidade de Confresa seja a primeira cidade a ter que fechar por conta do coronavírus. Em Várzea Grande, cidade com 184 mil habitantes, o feriado de Corpus Christi, celebrado esta quinta-feira, 11, foi prolongado e a sexta-feira virou ponto facultativo.

A medida é para tentar desacelerar a evolução de casos da doença no município e impedir o colapso nas unidades de saúde. A cidade tem 397 casos confirmado e 24 mortes, o que a torna a segunda cidade com o maior número de mortes, atrás apenas da capital, Cuiabá, com 37.

O secretário municipal de Saúde, Diógenes Marcondes, destacou que hoje há mais dificuldades em se conseguir um leito de UTI do que há uma semana atrás. “São medidas duras parar uma cidade do porte de Várzea Grande, a segunda maior população do Estado, por quatro dias, mas necessário para se buscar o platô da curva de disseminação. O poder público tem o dever de salvar vidas”.

A reunião que definiu o feriado prolongado também avaliou a possibilidade de lockdown. No entanto, foi decidido que o feriado poderá ser um teste valioso para se perceber os efeitos do distanciamento, e consequentemente, o comportamento da população e dos setores econômicos.

“Tivemos medidas duras no início dos primeiros casos de Covid-19, em Várzea Grande, mas a flexibilização vem provando que a doença está evoluindo com muita velocidade. As medidas iniciais foram acertadas, pois a doença caminhou de forma lenta. O momento atual vem exigindo ações drásticas, mas eu não quero ficar dentro de um gabinete assinado decretos e mais decretos sem saber como isso vai impactar sobre nossa cidade. O que precisamos, e eu insisto, e de união de todos os segmentos e poderes para que haja efetividade, resolutividade em tudo que for decidido e principalmente fiscalização para que todos possam trabalhar, mas dentro das regras estabelecidas nos decretos com limitações no atendimento de 50% nos comércio em geral, 30% nos estabelecimentos de gêneros alimentícios e dois horários de funcionamento para almoço e jantar para restaurantes e pizzarias”, argumentou a prefeita de Vargem Grande, Lucimar Sacre de Campos.

Em entrevistas, o governador Mauro Mendes pediu que os prefeitos concentrem esforços nas medidas contra o coronavírus, especialmente na testagem de pacientes que procuram as unidades de atenção básica, tarefa que é dever dos municípios realizar.

“Quem vai na policlínica precisa ser testado. As prefeituras receberam recursos e testes do governo Federal. Porque se o paciente testou e já começa um tratamento, talvez nem precise ir no hospital. Mas sem isso, a pessoa já chega mal ao hospital, com o pulmão comprometido e vai direto para a UTI”, relatou.

O secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, teme que em breve possa não haver leitos de UTI disponíveis para atender a toda a população. Em Várzea Grande, por exemplo, o Hospital Estadual Metropolitano está com 36 dos 40 leitos ocupados, uma lotação de 90%.

O governador Mendes pediu que todos sigam as orientações de evitar aglomerações, contato social e de tomar todas as medidas de higiene e distanciamento.

Cuidados no campo

algodão

A movimentação nas fazendas é intensa nesta época do ano em Mato Grosso. É tempo de colheita e conforme as máquinas avançam sobre as lavouras, a circulação de pessoas no campo também fica maior, exigindo mais cuidados para proteger colaboradores e agricultores, da Covid-19.

Como o avanço da doença no estado coincide justamente com o momento de maior circulação de pessoas nas fazendas, as lideranças do setor reforçam a necessidade de redobrar os cuidados de higiene contra a Covid-19 nas propriedades rurais. “Estamos repassando algumas orientações para os produtores para que tomem cuidados para evitar a contaminação da sua equipe de trabalho. Nós temos que ter cuidados básicos como usar máscaras, álcool em gel, evitar aglomerações nas cantinas, nos pátios da empresas na hora de descarregar a produção. O vírus é altamente contagioso e todo cuidado é pouco! Queremos evitar que os agricultores tenham transtornos numa época tão difícil quanto essa que é a colheita de uma cultura”, explica Ilson José Redivo, que é presidente do Sindicato Rural de Sinop.

Em Sorriso, município vizinho, o Sindicato Rural também tem apoiado campanhas orientativas. Mais de 2 mil folhetos e cartazes com uma lista de dicas de prevenção contra a doença foram distribuídos em armazéns e postos de combustíveis da região. A ideia é reduzir riscos os durante a colheita do milho e do algodão.

O agricultor Orcival Guimarães vai contratar 350 pessoas para o trabalho. Pelo menos 250 devem vir de estados do nordeste. Ele já começou a adotar medidas preventivas contra a doença.

“Vamos fazer os testes rápidos e manter o isolamento caso algum dê positivo. Os testes de temperatura de oxigenação serão diários. A disponibilização de álcool em gel e o reforço da importância da higienização serão constantes. Vamos fazer de tudo para que ninguém se contamine”, conclui.

FONTE: Fábio Santos, de São Paulo*

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