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Preço do gás de cozinha chega a R$ 105 em Mato Grosso

Mato Grosso é um dos estados afetados pela paralisação do terminal de Utinga (SP), de onde provém parte do gás de cozinha que supre a demanda estadual.

20/06/2017 13h53 | Atualizada em 20/06/2017 14h13 1 comentario

Preço do gás de cozinha chega a R$ 105 em Mato Grosso

Ilustrativa

O preço do gás de cozinha já alcança R$ 105 em municípios mato-grossenses mais distantes da capital, conforme levantamento da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Após o reajuste médio de 6,7% no preço do botijão de 13 quilos nas refinarias, anunciado pela Petrobras há 13 dias, o varejo prevê novos impactos nos preços do produto. A motivação para a pressão nos preços do insumo ao consumidor está na dificuldade para obtê-lo. Mato Grosso é um dos estados afetados pela paralisação do terminal de Utinga (SP), de onde provém parte do gás de cozinha que supre a demanda estadual, conforme o Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás de Mato Grosso (Sinergás).

Os revendedores do GLP doméstico antecipam uma crise no abastecimento nas regiões Centro-Oeste, Sul, Sudeste e Nordeste do país. “O fechamento do terminal em Utinga (SP) vem agravando e colocando em risco do abastecimento do gás em quase todo Brasil”, afirma o presidente da Associação Brasileira dos Revendedores de GLP (Asmirg), Alexandre Borjaili.

“As distribuidoras vêm se empenhando, mas há limites dentro de uma logística que depende de transporte rodoviário, que além da elevação dos custos, vem provocando atrasos que resultam na falta de gás em algumas de suas bases”, argumenta. “A Utinga é uma refinaria grande, em plena atividade, mas que foi paralisada por estar no perímetro urbano”, emenda o presidente do Sinergás/MT, Alan Rener Tavares.

Além disso, outras refinarias espalhadas pelo país irão entrar em manutenção escalonada, completa ele. “Já está havendo desabastecimento. Semana passada duas distribuidoras em Mato Grosso estavam com pouco gás de cozinha”. Menos produto impulsiona os preços no atacado e no varejo, observa o presidente do Sinergás/MT. Para ele, o governo federal busca compensar o rombo nas contas da Petrobras e do próprio governo com a mudança na política de revisão de preços dos combustíveis, inclusive do gás de cozinha. “Por mês são vendidos 33 milhões de botijões de 13 kg. Se aumenta R$ 1 na refinaria, quanto o governo não arrecada? Isso provoca um efeito em cascata, porque aumenta a cobrança do ICMS também”, critica.

Em Mato Grosso, o preço médio do botijão de 13 kg do gás atinge R$ 79,56, com variação entre o mínimo de R$ 60 e máximo de R$ 105. O valor mais alto é verificado, por exemplo, em Aripuanã, a 1,002 mil km a Noroeste de Cuiabá.

Ao pagar R$ 105 por um botijão, o consumidor mato-grossense remunerado em 1 salário mínimo (R$ 937) terá que dispor de 11,20% de sua renda mensal para custear o produto. Essa situação se mantém ao longo dos últimos 16 anos. Em 2001, um botijão de gás custava, em média, R$ 22,36 em Mato Grosso, quando o salário mínimo se mantinha em R$ 180, e que para o assalariado mínimo, 12,42% da renda mensal era consumida com a aquisição do insumo básico. “Na minha família a renda mensal é 4 vezes maior que isso, mas mesmo assim acho o gás caro, porque temos que comprar todo o mês e são muitas despesas. Paguei R$ 95 pelo botijão, há uns 10 dias”, comenta a funcionária pública Edinéia Miranda, 28.

Alguns municípios mato-grossenses das regiões Oeste, Médio-Norte e Norte enfrentam escassez de gás de cozinha. A situação é ocasionada pela dificuldade no transporte do produto, informa o Sinergás/MT. Há casos de revendas de GLP que estão há mais de 30 dias sem conseguir transportar o insumo, segundo a entidade sindical. Cáceres, Araputanga, São José dos Quatro Marcos, Mirassol d’Oeste, Tangará da Serra, Barra do Bugres, Sapezal, Sinop, Porto dos Gaúchos e Alta Floresta são alguns municípios nesta condição, elenca o presidente do sindicato dos revendedores, Alan Rener Tavares. “Se não tem o produto para vender, como irá viabilizar o negócio? A maioria das revendas são empresas familiares. E quando o produto está escasso, o preço aumenta”.

Deixar a atividade é uma alternativa cogitada pelos revendedores que não conseguem transportar os botijões de gás até o destino final. Para o transporte de carga perigosa, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) exige licença ambiental. Também é necessária a autorização da ANP para comercialização. Contudo, há atrasos de até 12 meses na liberação das licenças pela Sema, sustenta o Sinergás.

“Ao entrar com o pedido de licença e pagar as taxas na Sema, o empresário recebe um protocolo, mas que não é aceito pela Polícia Rodoviária Federal (PRF)”, expõe Tavares. Ainda assim, muitos arriscam o transporte somente com o protocolo e têm os caminhões barrados, as cargas apreendidas e até os condutores detidos. “Eles são multados e obrigados a pagar até fiança para liberar o motorista”. O segmento também reclama do valor das licenças ambientais.

A situação foi levada ao conhecimento do vice-governador, que acumula a função de secretário de Estado de Meio Ambiente, Carlos Fávaro (PSD), na última quarta-feira (14). “O governo e alguns deputados estão sensibilizados com o problema. Precisamos de uma solução”, reforça o presidente do Sinergás.

Por meio de nota oficial, a Sema afirma que a legislação pertinente foi regulamentada há mais de 7 anos. Contudo, somente após intensificadas as fiscalizações pela PRF é que a Secretaria foi contatada por empresas do segmento com o propósito de realizar o licenciamento ambiental das atividades. “A secretaria (...) está realizando as análises prioritariamente dos processos que estão adentrando na Secretaria neste período”. Sobre a cobrança das taxas, a Sema esclarece que o Estado possui uma legislação que arbitra sobre esses valores, atualmente em reavaliação por um Grupo de Trabalho (GT) da Secretaria. A intenção é mudar a lei vigente, justamente porque a Sema entende que a sua principal finalidade não é atuar como órgão arrecadador.

FONTE: A Gazeta

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