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SAÚDE

Alergias, uma explosão de sintomas

Conheça os principais tipos e o que fazer para contornar o problema.

09/10/2018 08h12 | Atualizada em 09/10/2018 08h20 115 acessos

Alergias, uma explosão de sintomas

Ilustrativa

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Espirros, coceira no nariz e na garganta, coriza, manchas e descamações na pele, cólicas, vômitos, chiado no peito e tosse. Quem é alérgico conhece bem as agruras de que padece quando está em crise e tenta fazer o possível na tentativa de evitá-las. Entre as alergias mais comuns, estão as respiratórias (rinite e asma), a dermatite atópica e as alergias alimentares. 

A imunologista e alergista Ana Paula Moschione Castro, membro do Departamento Científico de Alergia Alimentar da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), destaca que as alergias estão entre as doenças mais frequentes do mundo - quase todas elas de caráter crônico, ou seja, uma vez que você recebe o diagnóstico, há grande probabilidade de os sintomas o acompanharem ao longo de boa parte da vida. Existe uma predisposição genética para o desenvolvimento do problema: um pai com alergia terá quatro vezes mais chance de gerar um filho alérgico, e um casal de alérgicos eleva esse risco para sete vezes. Em relação à rinite, há estudos que mostram que a doença atinge até 40% da população. De tão comum, muitas vezes o problema é subestimado. Ana Paula explica que a rinite não é grave, mas que suas comorbidades podem ser bem mais incômodas e impactantes no dia a dia. 

“Quem tem mais rinite tem mais risco de ter mais sinusite, mais otite, mais asma, mais distúrbios do sono, mais comprometimento da qualidade de vida”, afirma a especialista. 

A função básica do sistema imunológico é oferecer proteção contra agentes infecciosos, explica o médico Sérgio Luiz Nadvorny, especialista em alergia, imunologia clínica e otorrinolaringologia. Algumas vezes, essa resposta do organismo a potenciais ameaças pode ocorrer de maneira exagerada ou inapropriada contra elementos ambientais não infecciosos, tolerados pela maior parte das pessoas, como alimentos, pólen, ácaros do pó domiciliar, mofos e insetos (picadas ou veneno). Os indivíduos que reagem de forma desproporcional produzem em demasia um determinado anticorpo, a imunoglobulina E (IgE), e essa reação de hipersensibilidade recebe o nome de alergia. 

Em geral, as alergias aparecem ainda na infância. A criança que não tolera leite e clara de ovo, por exemplo, pode passar a tolerar esses alimentos a partir de certo ponto da vida. Há também alergias que aparecem apenas na fase adulta - alguém que nunca teve problemas com determinado medicamento, por exemplo, pode, em algum momento, ter reações alérgicas ao ingeri-lo. 

“Há pacientes na faixa dos 20 ou 30 anos que não tinham uma rinite importante na infância. Ou tiveram, a rinite se resolveu e voltou depois. E tem paciente em quem a rinite só aparece na vida adulta. O desenvolvimento da alergia depende de fatores predisponentes, que têm a ver com a genética, e fatores ambientais. Vamos supor que o paciente tenha pré-disposição genética e, com 30 anos, muda-se para um apartamento úmido, onde se acumulam fungos e ácaros. Antes, ele não tinha contato com uma carga importante para causar a alergia, e agora passou a ter. Por isso, os sintomas são mais fortes agora. Outro exemplo é alguém que começa a trabalhar em um local fechado, com carpete e pouca ventilação, e antes essa pessoa não trabalhava num local assim”, explica Nadvorny. 

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO 

Para descobrir se o paciente é alérgico e de que tipo de alergia sofre, é fundamental ter uma boa conversa com o médico alergista. O profissional analisará episódios e reações que se repetem - com a recapitulação desse histórico, pode ficar evidente que a reexposição a uma causa suspeita provoca o mesmo tipo de sintoma. 

“O exame clínico também é importante. No caso da pele, visualizam-se as lesões. Se o paciente está fora de crise, pode mostrar fotos de uma crise de dias ou semanas antes”, orienta Nadvorny. 

Os testes cutâneos de leitura imediata, mais conhecidos como testes alérgicos, podem ajudar a descobrir ou a tirar dúvida sobre o que está estimulando a hiper-resposta do organismo. No antebraço do paciente, o médico pinga as substâncias possivelmente causadoras da alergia (ácaros do pó domiciliar, pelos de animais, fungos, pólens etc.) e faz uma punctura (furinho). É como se fosse uma pequena provocação da alergia suspeita. Quem for de fato alérgico terá um excesso do anticorpo IgE, localizado junto aos vasos sanguíneos, às mucosas e à pele. 

“Por isso, é possível realizar esse teste na pele mesmo para pesquisar uma alergia respiratória ou alimentar. Não é preciso testar uma alergia a leite, clara de ovo ou trigo no aparelho digestivo ou, no caso de rinite ou asma causada por ácaros, no aparelho respiratório. Testa-se na pele”, esclarece Nadvorny. 

Em geral, a reação aparece na forma de uma pápula (elevação cutânea de pequena dimensão), com hiperemia (vermelhidão) e coceira, em um intervalo de 15 a 20 minutos após o estímulo. Às vezes, é preciso testar mais de uma substância até que se descubra qual está causando a alergia. 

Ana Paula Moschione Castro salienta que, antes de se estimar o tipo ou o tempo de tratamento, o primeiro foco do médico deve ser a detecção do agente causador da alergia. Em alguns casos, esse elemento é eliminável, o que dispensa medicação. Se a pessoa é alérgica a camarão, por exemplo, basta retirar totalmente o crustáceo da alimentação para evitar as reações. Quando o alérgeno é o pólen, fica mais difícil, já que é impossível eliminá-lo do meio ambiente - especialmente agora, quando estamos em pleno início da primavera. Recorre-se, então, a estratégias de controle da alergia. 

“Há muitos remédios com alto grau de segurança pra controlar os sintomas”, comenta a imunologista e alergista. 

Outra frente de tratamento, a depender do caso, é a imunoterapia alérgeno-específica, popularmente conhecida como vacinas antialérgicas. Com doses injetáveis crescentes do elemento desencadeador da alergia, busca-se a indução de tolerância. Ou seja, com o tempo, o indivíduo passará a tolerar o contato com o que até então provocavam suas crises. O esquema das injeções começa sendo semanal, e as aplicações vão se tornando mais espaçadas. A duração do tratamento é de dois a três anos, em média. O paciente poderá passar a aguentar o contato com o causador de sua alergia, tendo crises menos frequentes e menos intensas, reduzindo a necessidade de uso de medicamentos antialérgicos. 

FONTE: Diário de Cuiabá/LARISSA ROSO

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