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113 ANOS

Descendente de escravos, idoso morre aos 113 anos em Mato Grosso

Idoso teve mais de 18 filhos, 34 netos, 41 bisnetos e 17 tataranetos e 2 trisnetos.

17/09/2018 08h57 402 acessos

Descendente de escravos, idoso morre aos 113 anos em Mato Grosso

José Medeiros

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Descendente de escravos, Antônio Benedito da Conceição, mais conhecido como Antônio Mulato, morreu nesse sábado (15) aos 113 anos em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá.

Mulato nasceu e morava na comunidade de Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento, a 42 km de Cuiabá.

Em três relacionamentos, ele teve mais de 18 filhos, 34 netos, 41 bisnetos e 17 tataranetos e 2 trisnetos.

Segundo familiares, Mulato estava internado desde quarta-feira (12) no Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande (PSMVG) com complicações renais. Ele não resistiu e morreu no final da tarde.

O velório é realizado desde a madrugada deste domingo (16) na Câmara Municipal de Vereadores de Nossa Senhora do Livramento — Foto: Marcelo Souza/TV Centro AMérica

O velório é realizado desde a madrugada deste domingo (16) na Câmara Municipal de Vereadores de Nossa Senhora do Livramento.

O corpo de Mulato deve ser velado até o início da tarde. A previsão é que o cortejo fúnebre saia entre 13h e 14h para o cemitério da Comunidade Mata Cavalo, mesmo lugar onde estão enterrados os pais dele e uma das mulheres que teve.

Antônio Benedito fez flexão durante a festa de aniversário de 110 anos. — Foto: Reprodução/ TVCA

História

A comunidade onde o idoso morava é ocupada por descendentes de escravos há mais de 120 anos. Esbanjando saúde, em festas de aniversário, o idoso mostrou que estava em boa forma e fez flexões para mostrar que ainda estava em forma.

Segundo a família, Mulato sempre comeu de tudo, mas não gostava dos alimentos enlatados. Os pratos favoritos dele nos últimos aniversários foram o cozidão [carne e mandioca ao molho], feijão com joelho de boi e farofa de banana.

O corpo de Mulato deve ser velado até o início da tarde em Nossa Senhora do Livramento — Foto: Marcelo Souza/TV Centro América

Antônio Mulato acordava cedo todos os dias e sentava na frente de casa para tomar um cálice de vinho branco. Outra bebida que não podia faltar na rotina era o guaraná ralado.

Sem saber ler e escrever, ele formou filhos professores, advogados e fazendeiros.

Pesar

Em nota, o Ministério Público Federal em Mato Grosso (MPF/MT) lamentou o falecimento de Antônio Mulato, líder e símbolo da Comunidade Quilombola Mata Cavalo.

Em sua trajetória de vida, Antônio Mulato se destacou por lutar pela igualdade racial. Em 1940, conseguiu instalar a primeira escola pública do Brasil em uma comunidade quilombola.

Nas décadas de 1950, 1960 e 1970, em decorrência de sua defesa da terra quilombola, Mulato recebeu incontáveis ameaças de morte, por não aceitar deixar as terras que receberam.

Mulato sofria de mal de Parkinson e Alzheimer.

FONTE: Denise Soares, Gleyce Santos e Marcelo Souza, G1

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