ALTA DOS PREÇOS

Mercado do boi gordo começa a reagir em Mato Grosso

Redução do ICMS para abate em outros Estados, reabertura de plantas frigoríficas e diminuição da oferta contribuem para a valorização da arroba.

18/08/2017 15h32 | Atualizada em 18/08/2017 16h16 173 acessos

Mercado do boi gordo começa a reagir em Mato Grosso

Ilustrativa

Um conjunto de fatores começa a mostrar efeitos no mercado do boi gordo. Depois de quase seis meses de desvalorização da arroba, nas últimas semanas o preço vem reagindo e em algumas regiões de Mato Grosso chega a ser cotado em R$ 125 a arroba para pagamento em 30 dias. Em Cuiabá, o valor alcançou R$ 121 nesta semana, 5% a mais que R$ 115 registrado em meados do mês passado.

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e pesquisadores creditam a alta dos preços à chamada entressafra do boi, à reabertura de plantas e redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 9% para 4% para o abate em outros Estados.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que faz levantamento de preços diariamente, divulgou nota sobre alta registrada em todas as praças do instituto, com exceção somente do Rio Grande do Sul. Em Mato Grosso, o indicador Cepea para Cuiabá aponta a arroba a R$ 120,37 à vista e R$ 121,30 para pagamento em 30 dias. Em Cáceres, o indicador é de R$ 121,50 à vista e R$ 122,45 a prazo.

A pesquisadora Mariane Crespolini explica que 90% dos abates no país são provenientes de engorda a pasto e que a estiagem reduziu a oferta de animais. “Com a intensificação da seca, praticamente não há animais disponíveis. Além disso,  a principal indústria retomou as compras e houve reabertura de plantas frigoríficas. Tudo isso contribui para aumento dos preços”.

O representante regional Acrimat em Vila Bela da Santíssima Trindade Cristiano Alvarenga acredita que o Estado ainda tem mais um fator que contribuiu para esta leve recuperação, que foi a redução da alíquota do ICMS para o abate de boi gordo em outros Estados. “A reabertura de plantas é positiva, mas o fator mais importante foi a possibilidade de abate em outras regiões, uma vez que as indústrias de outros Estados estão procurando nosso produto”.

Na região do Araguaia, a representante da Acrimat Teia Fava também revela que a possibilidade de abate em Goiás, por exemplo, valorizou o mercado local. “Recebi uma oferta semana passada e outra um pouco melhor esta semana e justamente para enviar para uma unidade de Goiás. Mesmo com o desconto do ICMS, que agora está menor, o negócio será mais vantajoso”.

Outra região que registrou reação no mercado é a chamada Vale do Jauru, onde estão os municípios de Araputanga, São José dos Quatro Marcos e Mirassol do Oeste, este último que há quase 30 dias conta com mais uma unidade frigorífica reaberta. O presidente do Sindicato Rural de Quatro Marcos, Alessandro Casado, afirma que com a concorrência os preços pagos ao produtor melhoraram.

“Antes havia apenas um grupo atuando em toda região. Agora temos duas indústrias, uma aqui em Mirassol do Oeste e um escritório foi aberto em Barra do Bugres. Isso movimentou o mercado e os preços reagiram”, afirma Casado.

“Esta medida [de redução do ICMS] e a adesão ao Sisbi, mostraram o compromisso do governo com o setor da carne. Mato Grosso possui o maior rebanho comercial de bovino, é um dos principais exportadores de carne e a desvalorização do mercado tem impactos diretos na economia de grande parte dos municípios”, explica o diretor-executivo da Acrimat, Luciano Vacari.

No último dia 07 de agosto, o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) assinou um convênio com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para aderir ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA), que faz parte do Sistema Unificado de Atenção a Sanidade Agropecuária (Suasa). Com isso, as indústrias regionais que solicitarem a certificação poderão comercializar seus produtos em todo o território nacional, o que deverá aumentar a demanda pela carne mato-grossense e fortalecer as pequenas e médias indústrias.

FONTE: BUSCAR assine a revista dbo 18 de agosto de 2017

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