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EDUCAÇÃO

Quanto e como é o gasto do brasil com educação

Governo aplica 5,7% do PIB na área, percentual maior do que a média dos países desenvolvidos.

07/05/2019 11h36 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

Quanto e como é o gasto do brasil com educação

Reprodução

Desde que tomaou posse como ministro da Educação, no mês passado, o economista Abraham Weintraub afirmou que pretende transformar a pasta em um "paradigma de eficiência". A preocupação exposta pelo novo titular do Ministério da Educação (MEC) é clara: o Brasil, defende ele, investe muito em educação e não demonstra resultados à altura: “Com esses R$ 120 bilhões (orçamento do MEC), a gente consegue entregar mais, deve entregar mais do que os indicadores atuais do Brasil, internacionais. Eles são ruins. O Brasil gasta como país rico e tem indicadores de país pobre per capita”. 

Apesar de investir em educação 5,7% do PIB, um percentual maior do que a média dos países desenvolvidos, o Brasil gasta, em comparação, pouco por aluno. Os US$ 4.450 anuais aplicados por estudante na rede pública são 54% menor do que a média dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) - que reúne 36 nações, em sua maioria desenvolvidas. Nesta reportagem, os valores em dólares não são convertidos para reais porque foram calculados a partir de uma fórmula para comparação mundial. 

Especialistas em educação avaliam que, mesmo com parcela significativa do PIB dedicada ao tema, o investimento é insuficiente para a necessidade da população. Há ainda significativa demanda a ser suprida, fruto de tempos em que a área não foi prioritária no país. 

“Nossa estrutura demográfica conta com muitas crianças e muitos jovens, diferentemente de países desenvolvidos que dedicam um percentual menor do PIB à educação. E, no Brasil, essa divisão de pouco recurso por muita gente dá um valor bastante baixo, ainda que o percentual seja alto”, explica Caio Callegari, coordenador de projetos do movimento Todos pela Educação. 

Professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e ex-presidente da Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (Fineduca), José Marcelino de Rezende Pinto salienta que o Brasil precisa fazer um esforço grande depois de um descuido com a educação por tanto tempo. Resolvida a lição de casa, como fizeram os países desenvolvidos, aponta, a tendência é de que o gasto brasileiro se estabilize em um patamar de 6% a 7% do PIB. 

“Parece, e é, um valor elevado, mas para um país que arrecada 33% do PIB em tributos, é plenamente realizável. Basta que a União, o ente que mais arrecada e que menos aplica em educação, assuma essa prioridade”, disse. 

Os educadores concordam que é preciso investir mais. Mas também ressaltam que se faz necessário gastar melhor, com eficiência e em ações que realmente façam a diferença. Callegari menciona que estratégicas como a formação de professores e o incentivo ao ensino em tempo integral em escolas têm muito mais impacto, por exemplo, do que a compra de computadores. 

“Sempre o debate fica nessa dicotomia, se gastamos muito ou pouco em educação. E, com dados cada vez mais robustos, vemos que investimos pouco, investimos mal e temos uma distribuição muito injusta”, destaca o pesquisador, formado em Economia pela USP, que estuda o financiamento da educação pública. 

“A questão não é se gastamos muito ou pouco, a questão é: dado o que gastamos, temos um retorno adequado? O que se vê é que não. Muito abaixo do que se esperaria para o nosso nível de gastos”, complementa Renan Pieri, professor de economia do Insper, em São Paulo. 

COMPARAÇÃO - O investimento abaixo da média por aluno ajuda a explicar por que o país amarga, há anos, espaço entre os últimos colocados em avaliações de qualidade do ensino. A Coreia do Sul - no "top 10" da educação na mais recente edição do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês) - despende, anualmente, com recursos do governo, US$ 10.893 por aluno (do Ensino Fundamental ao fim do doutorado). O valor é 13% maior do que a média dos países da OCDE - US$ 9.655 em 2015, conforme a organização. O Brasil investe menos da metade da média na mesma categoria. 

Os dados contemplam verbas municipais, estaduais e federais, e foram obtidos a partir de análise do relatório Education at a Glance, publicação anual da OCDE que apresenta informações sobre estrutura, financiamento e desempenho de sistemas educacionais ao redor do mundo. 

“O Brasil precisa investir mais, qualificar seus investimentos, dar continuidade a programas e políticas de Estado, estruturar um sistema nacional articulado de educação entre os entes federados e a sociedade organizada. A descontinuidade de políticas educacionais no Brasil é uma prática de todos os governos”, avalia Gabriel Grabowski, professor e pesquisador e membro do Conselho Estadual de Educação. 

Foi com a constatação de que o "Brasil gasta mais em educação em relação ao PIB que a média de países desenvolvidos" que o presidente Jair Bolsonaro defendeu recentemente, por meio do Twitter, a criação de uma "Lava-Jato da Educação". 

O Japão, que investe 3,3% do PIB em todos os níveis de ensino, conquistou a terceira maior média mundial no Pisa. Já o Brasil, com 5,7% do PIB dedicado à educação, ocupa uma desonrosa 63ª colocação, na soma das médias obtidas em ciências, leitura e matemática por estudantes de 15 anos. E a Coreia do Sul, que ficou 54 posições acima dos brasileiros no Pisa, coloca 4,6% do PIB em educação. Foram 70 os países avaliados, em 2015, na prova da OCDE.

FONTE: Diario de Cuiabá/GUILHERME JUSTIO

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