Curiosidades

Somos Todos BR 158 - Por Evandro Carlos

Sem a 158, a situação de quem produz o e mora no Araguaia Mato Grossense ou Araguaia Paraense, segue péssima, mesmo que juntas, elas representem um potencial maior de produção e renda que todo Paraná

14/06/2022 18h56 | Atualizada em 15/06/2022 12h43

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Na última semana, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes juntamente com diversas lideranças do estado fez uma caravana ao Araguaia mato-grossense visitando os principais municípios da região. O Araguaia de Mato Grosso, assim como o lado paraense conhecido horas como Araguaia Paraense, horas como Carajás, é uma gigantesca região, culturalmente rica por sua história, e ao mesmo tempo por suas riquezas naturais e minerais, além das duas áreas serem conhecidas por estarem entre as últimas grandes fronteira agrícolas do Brasil.

Alguns dias antes de Mendes fazer seu tour pelo lado de Mato Grosso, seu colega paraense Helder Barbalho havia feito um roteiro parecido saindo da terceira maior cidade do estado, Marabá e se dirigindo até Santana do Araguaia, a última cidade do sul do Pará na tríplice fronteira com Mato Grosso e Tocantins, e assim como Barbalho, Mauro Mendes também fez sua caravana mostrando seus feitos como governador, inaugurando obras e lançando pacotes juntos as lideranças municipais de suas bases políticas.

Tanto Barbalho, como Mendes estavam acompanhados de assessores e aspones, além de membros das bancadas federais e estaduais de seus estados, mas o que chamou minha atenção durante as visitas tanto de Mendes, como de Barbalho, foi a ausência de conversa sobre o principal eixo de infraestrutura que une e corta tanto a região do Araguaia Mato Grossense, como o Araguaia Paraense ou Carajas como queiram assim chamar, e este eixo tem nome é a BR 158. 

Curiosamente na última reunião, do último dia de visita ao Araguaia de Mato Grosso, na cidade de Vila Rica, município mais ao norte do estado e na divisa com o Pará, Mendes se sentou em uma mesa reservada onde estavam além do grande líder rural Anísio Junqueira Vilela Neto, o Netão, que é uma das principais vozes do agronegócio regional, o atual prefeito reeleito de Vila Rica, Abmael Borges da Silveira atualmente um dos mais conceituados e creditados prefeitos do estado de Mato Grosso, a jovem promessa política e presidente da Câmara de Vila Rica, Clebis Lourenço, e o único Deputado Estadual da região Araguaia de Mato Grosso, Dr. Eugênio Paiva, além de produtores rurais que representam uma área com capacidade produtiva de mais de um milhão de hectares, localizada no eixo das margens da rodovia MT 431 que liga Santa Teresinha a Santa Cruz do Xingu, atravessando a BR 158 dentro do perímetro urbano de Vila Rica.

Mendes começou a conversa logo se esquivando e justificando assim como Barbalho tinha feito dias antes do lado paraense, “Olha estou aqui para falar de obras estaduais e não tenho nada a ver com obras federais, meu negócio são obras do estado”. De longe observando a reunião, ninguém mais, nem menos, estava o senador Wellington Fagundes, candidato à reeleição ao senado pelo mesmo partido do presidente Jair Bolsonaro, outro que ficou à distância foi o senador Fábio Garcia, que também tinha em sua companhia Neri Geller, deputado federal e ex-ministro da Agricultura, também correligionário do presidente do Congresso, Artur Lira e hoje rival de Fagundes na disputa ao Senado, além deles outro deputado federal presente no parque de exposições de Vila Rica, era Nelson Barbudo, o federal mais votado em 2018 por Mato Grosso, bolsonarista de tchapa e cruz como dizem os cuiabanos.

Assim como a bancada federal de Mendes, os federais de Barbalho evitam falar sobre a BR 158, é algo espinhento para a maioria deles, seja em Mato Grosso, seja no Pará, principalmente em tempo de eleição, e o time de políticos não é assim tão pequenino, pois a bancada dos dois estados é composta por 25 deputados federais sendo 17 deles do Pará, e outros 08 de Mato Grosso, mais 03 senadores de cada lado, mas a grande maioria não sabe o que dizer sobre a obra.

Porém apesar da inércia, nem todos evitam falar sobre o tema, do lado paraense isolado na luta pela rodovia, o Deputado Federal Joaquim Passarinho diz aos 04 ventos que sem a conclusão da BR 158, a região não consegue avançar, mesmo sendo vice líder de Bolsonaro ele não consegue ser ouvido por seus pares sobre o tema.

Do lado de Mato Grosso, o deputado estadual Eugenio Paiva vive na pele o problema, morador de Água Boa, e médico anestesista do Hospital Regional com sede no município, Dr Eugenio assim como é conhecido, sabe que seu poder é limitado, e ao mesmo tempo que fica feliz com avanços de ações do estado, se sente impotente sobre a questão da BR 158, que liga suas duas bases eleitorais no Médio e no Norte Araguaia do estado. 

Mas enfim, da mesma forma, o que ocorreu nas visitas de Mendes, ocorreu nas de Helder, quando ninguém da bancada Federal que acompanhava os gestores estaduais ousou em citar a BR 158, curiosamente o que podemos ver é que a falta de representatividade política das duas regiões tanto no Pará, como em Mato Grosso, deixe o principal corredor de logística que atravessa de norte a sul as mesmas, sempre em segundo plano.

E assim os governos estaduais dizem que suas ações não tem nada ver com a BR 158, e desta forma no lado paraense, parte da produção e vidas são perdidas na estrada que está da mesma forma que foi construída a mais de 40 anos atrás, do lado de Mato Grosso apesar de alguns avanços, a indefinição sobre o trecho de chão que corta a Terra Indigena Xavante, onde não se sabe se será mantido o traçado original, ou se vai passar pelo Traçado Leste ou Oeste, faz a população local e os usuários se sentirem numa terra sem dono.

Desta forma, os mais de 1.400 kms da rodovia que liga as duas maiores cidades das duas regiões, sendo Barra do Garças em Mato Grosso num extremo, e Marabá no Pará no outro extremo, segue inconclusa, causando sensação que o coração do Brasil é uma terra inóspita e abandonada.

Sem a BR 158, a situação de quem produz e mora no Araguaia Mato Grossense ou Araguaia Paraense, segue péssima, mesmo que juntas, as duas regiões representem um potencial maior de produção e renda que todo o estado do Paraná, um dos 03 gigantes do agronegócio nacional, além da exuberante riqueza natural com tendência turística e do poderoso potencial mineral.

Então às vezes, andando pela BR 158, eu entendo porque quase todos os 31 políticos que compõem a bancada federal conjunta de Mato Grosso e do Pará, não constroem uma solução para a situação da BR 158, eles não pertencem as bases da região, e o que buscam é o imediatismo do voto e do poder, talvez por isso,  Joaquim Passarinho e Dr Eugênio sejam vistos como políticos estranhos, quando tentam serem sinceros com a população sobre o tema.

Então para finalizar, vejo que única saída que a população que margeia a BR 158 tem é usar sua maior arma, o voto,  e nas eleições deste ano de 2022, que ela saiba escolher quem de fato tem causa, e conhece a necessidade da BR 158, por isso afirmo ###SomosTodosBR158###

Evandro Carlos é jornalista e morador dos estados do Pará e Mato Grosso desde 1986

FONTE: Evandro Carlos

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